terça-feira, 18 de agosto de 2026

LUTO: LAURA CARDOSO

https://pt.wikipedia.org/wiki/Laura_Cardoso (Wikipedia)

https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/tv/noticia/2026/08/morre-a-atriz-laura-cardoso-aos-98-anos-cmsy8xlhq007701jo5cpub50a.html (Fonte da imagem)



  • Laurinda de Jesus Balleroni (nascida Cardoso; São Paulo, 13 de setembro de 1927 – São Paulo, 17 de agosto de 2026), mais conhecida como Laura Cardoso, foi uma atriz brasileira. Considerada uma das referências da dramaturgia brasileira, iniciou sua carreira na televisão em 1950, ano de sua inauguração. Ao longo de sua trajetória, participou de mais de cem produções, incluindo numerosas telenovelas. Entre os prêmios recebidos estão três Prêmios Grande Otelo, cinco Prêmios APCA, dois Prêmios Shell e dois Troféus Imprensa. Em 2006, recebeu a Ordem do Mérito Cultural em reconhecimento à sua contribuição artística para o Brasil.
  • A carreira de Laura Cardoso começou no rádio, com sua participação em radionovelas na década de 1940. Com a chegada da televisão ao Brasil, tornou-se uma das primeiras contratadas da TV Tupi, onde participou de teleteatros e trabalhou com diversos diretores. Em 1954, iniciou sua trajetória na televisão após ser convidada pela amiga Vida Alves para integrar o programa Tribunal do Coração, produzido por Alves. Em 1958, estreou em telenovelas como Cosette, em Os Miseráveis, da TV Tupi. Ao longo da carreira, trabalhou em emissoras como Band, TV Cultura, Record e Globo, onde permaneceu desde 1983, além das extintas TV Excelsior, TV Rio e Rede Tupi.
  • Nas décadas de 1950 e 1960, destacou-se em teleteatros e novelas da TV Tupi, participando também de Quando o Amor É Mais Forte (1964), uma das primeiras novelas diárias da emissora. Entre 1968 e 1973, integrou o elenco da TV Record, atuando em produções como As Pupilas do Senhor Reitor e Os Deuses Estão Mortos. Retornou à TV Tupi em 1974 e permaneceu na emissora até seu encerramento, em 1980, participando de novelas como Ídolo de Pano e João Brasileiro, o Bom Baiano. Em 1981, estreou na TV Globo em Brilhante, a convite de Daniel Filho. Em 1983, foi contratada pela emissora por intermédio de Walther Negrão e passou a integrar o elenco de Pão Pão, Beijo Beijo. A partir daí, construiu uma longa trajetória na Globo, com participação em mais de 20 novelas e diversas produções especiais.
  • Ao longo de sua carreira, Cardoso interpretou personagens de diferentes perfis em produções de televisão voltadas a públicos variados. Entre seus trabalhos estão Marta, em Fera Radical (1988); Dona Cândida, em Felicidade (1991–1992); e Dona Lila, no seriado Mundo da Lua, da TV Cultura. Na década de 1990, participou dos remakes de Mulheres de Areia, como Dona Isaura, e A Viagem, como Dona Guiomar. Em produções posteriores, interpretou personagens como Sinhana, em Irmãos Coragem; Tia Ruth, em Salsa e Merengue; Dona Carmem, em Chocolate com Pimenta; Laksmi, em Caminho das Índias; e Dorotéia, no remake de Gabriela.
  • Cardoso estreou no teatro em 1959, aos 32 anos, na peça Plantão 21, dirigida por Antunes Filho, após já ter desenvolvido carreira no rádio e na televisão. Nos palcos, participou de diversas produções e trabalhou com importantes nomes do teatro brasileiro. Recebeu dois Prêmios Shell de Melhor Atriz: o primeiro por Vem Buscar-Me que Ainda Sou Teu (1990), de Carlos Alberto Soffredini, e o segundo por Vereda da Salvação (1993), de Jorge Andrade, também dirigida por Antunes Filho.
  • Laurinda de Jesus Cardoso nasceu no bairro do Bixiga em São Paulo, filha dos imigrantes portugueses Adriano Cardoso e Carolina de Jesus. Desde a infância, entre seis e sete anos, brincava de teatro transformando caixotes de madeira em palco e encenado para sua avó, a primeira espectadora de Laurinda. Ela e uma amiga do bairro vestiam fantasias e fingiam que iam pegar o bonde. A encenação esteve presente em suas veias desde a infância. "Toda noite a gente vestia a roupa, botava o chapéu, o anel, o brinco da mãe da menina, sentava na calçada e esperava o bonde. Então, a gente brincava, subia no bonde e descia correndo. Esse era o nosso teatrinho de toda noite", relembra Cardoso em depoimento ao projeto Memória Globo.
  • O interesse de Laura pelas artes dramáticas nasce da relação com a literatura. Ainda criança, em um colégio de freiras, passa a ler histórias para as colegas de classe, experiência que desperta o prazer pela interpretação graças à receptividade das alunas e ao incentivo das professoras. Já na adolescência, ao iniciar a trajetória nas rádios, desenvolve com mais intensidade a imaginação e a expressividade necessárias para dar vida a textos construídos essencialmente pela voz.
  • Ainda jovem, enfrentou o pai e, sobretudo, a mãe, para tentar carreira nas rádios atuando nas famosas radionovelas. A profissão era muito mal vista à época. Com apenas quinze anos de idade, em 1942, decidiu trilhar sua carreira artística na Rádio Cosmos. Por exigência da profissão, tornou-se mais conhecida como Laura Cardoso. Nesse período, também atua no teatro infantil e no circo popular, além de passar por outras emissoras de rádio, como a Cultura e a Tupi.
  • Após o período como atriz de rádio, logo foi chamada para atuar na televisão em 1950. A recém inaugurada TV Tupi exibia teleteatros ao vivo e Laura Cardoso já estava presente no programa Teatro de Walter Forster, que exibia a peça "A Prostituta e o Santo Homem". Em 1952, atuou no programa Tribunal do Coração, escrito por Vida Alves, adaptando-se assim ao novo veículo de comunicação. Em 1953, participa do elenco de Hamlet, dirigido por Dionísio Azevedo, na primeira experiência com videotape da televisão brasileira. Nesse período, contracena com nomes como Lima Duarte, Lolita Rodrigues, Rolando Boldrin e Vida Alves. Posteriormente, ela apareceu em inúmeros programas da emissora que apresentavam adaptações de textos da literatura brasileira e mundial, como a TV de Vanguarda (1955), TV de Comédia (1957) e o Grande Teatro Tupi (1957). Ela passou a integrar o elenco das telenovelas da emissora, vivenciando o auge da teledramaturgia brasileira, estando em uma adaptação de Os Miseráveis (1958), no papel de Cosette, Um Lugar ao Sol (1959), como Ana Maria, e Há Sempre o Amanhã (1960), onde interpretou Clara.
  • Em 1959, aos 32 anos, estreia profissionalmente nos palcos do teatro adulto após ter consolidado uma carreira como atriz de rádio e televisão. Laura encenou a peça Plantão 21, dirigida por Antunes Filho, e sua estreia tardia nos palcos do teatro foi recebida com "expressividade e louvor" pela crítica. De volta à televisão, deu continuidade aos seus trabalhos na Tupi como em Prelúdio, a Vida de Chopin (1962), A Noite Eterna (1962) e Sublime Aventura (1963). Em Moulin Rouge - A Vida de Toulouse-Lautrec (1963), destacou-se no papel da Condessa L'amour, sob a direção de Geraldo Vietri, que lhe rendeu o Troféu Imprensa de Melhor Atriz. Neste período, Cardoso fez sua estreia no cinema atuando na cinebiografia O Rei Pelé, com direção de Carlos Hugo Christensen, a qual abordava a vida do jogador de futebol Pelé.
  • Cardoso estrelou a novela Gutierritos, o Drama dos Humildes (1964) ao lado de Lima Duarte no papel de Rosa. No entanto, por motivos de saúde, precisou sair da produção e foi substituída por Wanda Kosmo. Ela foi escalada no mesmo ano para a novela Quando o Amor é Mais Forte, de Pola Civelli, sendo esta sua primeira novela exibida diariamente na televisão, e sua personagem teve bastante destaque na época. A atriz conseguiu o feito de tornar sua personagem coadjuvante popular em um período onde somente os casais de protagonistas tinham muita importância. Durante as gravações dos capítulos finais, Cardoso mais uma vez esteve mal de saúde chegando a desmaiar no estúdio e ser socorrida por seus colegas. Em razão disso, as gravações da novela foram adiadas até que a atriz retomasse suas condições de saúde.
  • No ano de 1965, apareceu em três telenovelas da TV Tupi. Interpretou Nicole na novela Fatalidade, estrelada por Eva Wilma e John Herbert, numa trama que se ambientava na década de 1930. Em Olhos que Amei, novela ambientada em Viena no século XIX, deu vida à maquiavélica rainha de uma tribo cigana, Zoraya, que é movida por um plano de vingança contra o conde Leopoldo (Lima Duarte), que guarda um segredo de seu passado. No mesmo ano, transferiu-se para TV Rio atuando em A Herança do Ódio. Laura foi contratada pela TV Excelsior em 1966 para estrelar a novela Abnegação, romance de Dulce Santucci, onde interpretou Gilda, uma mulher que foge de sua família ao lado de seu verdadeiro amor após ter um casamento armado. Ela retornou para a Tupi para interpretar Maria de Freitas na novela Os Rebeldes, contracenando com Percy Aires.

"Descanse em Paz"


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